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Contents : Johan Huizinga e a Hist ria da Cultura: a dimens o tica e est tica da Hist ria Naiara dos Santos Damas Ribeiro Resumo: O historiador holand s Johan Huizinga (1872-1945) ficou conhecido no meio acad mico por sustentar um deliberado distanciamento em rela o aos paradigmas historiogr ficos de seu tempo. Desde o in cio de sua carreira como professor na Universidade de Groningen em 1905 ficou claro que sua forma de conceber o conhecimento hist rico estava em vis vel descompasso com o pensamento hist rico ent o em voga sobretudo no que se referia a uma tend ncia de aproxima o mais acentuada da Hist ria com as Ci ncias Sociais e com a Psicologia. Neste texto pretendemos discutir esse distanciamento cr tico de Huizinga em rela o historiografia de seu tempo e mostrar como para Johan Huizinga a chave para a compreens o hist rica estava n o na descoberta de leis hist ricas e categorias mas estreitamente vinculada a uma apreens o tica e est tica do passado. Palavras-chave: Johan Huizinga Historiografia Hist ria da Cultura. Em 1905 ao assumir a c tedra de professor de Hist ria na Universidade de Groningen Holanda Johan Huizinga viu-se diante de uma rdua tarefa. Como era tradi o na academia holandesa os novos professores deveriam come ar a sua atividade cient fica por uma reflex o e uma tomada de posi o p blica em rela o aos fundamentos da pr pria disciplina. Para Huizinga essa n o era uma empreitada das mais f ceis: o seu pr prio caminho at chegar a esse cargo havia sido de tal forma singular que lidar com os problemas da compreens o hist rica requeria naquele momento um estudo de grande f lego. Huizinga n o era um historiador de profiss o. Entre a sua inf ncia permeada pelas cores do passado p trio por bras es e cavaleiros medievais at o momento de sua posse ao cargo de professor de Hist ria em Groningen um longo intervalo o havia separado dos problemas do conhecimento hist rico. Durante a sua juventude ele havia se dedicado aos estudos ling sticos e orientais e era nessas reas que ele esperava obter reconhecimento acad mico. Mas por quest es pessoais e por influ ncia de seu professor P.J.Blok ao terminar seu doutorado em 1897 Huizinga tornou-se sem muito entusiasmo professor de hist ria da Escola superior de Haarlem. Em rela o a esses anos de magist rio Huizinga dizia: eu era agora um professor de hist ria mas de maneira nenhuma um historiador .1 Tornar-se efetivamente um historiador foi algo que se deu somente com a sua entrada na Universidade 1 Mestranda bolsista CAPES. HUIZINGA Johan. My path to History. In: Dutch Civilization in the Seventeenth Century and other essays. Londres: Collins 1968. p.262-263. I was now a teacher of history but not at all a sound historian . Anais das Jornadas de 2007 Programa de P s-Gradua o em Hist ria Social da UFRJ 2 de Groningen. S a partir desse momento ele se sentiu a vontade para dizer que seu caminho para a Hist ria estava ent o completo .2 Quando o caminho de Huizinga convergiu para a Hist ria este conhecimento encontrava-se imerso em uma grave crise de seus paradigmas. Desde o final do s culo XIX a Hist ria havia sido for ada a debru ar-se sobre si mesma redefinindo o seu campo espec fico de atua o como ci ncia e seus objetos de interesse.3 Ao escrever sua aula inaugural Huizinga tinha plena consci ncia de todos esses problemas que fragilizavam o conhecimento hist rico e de quanto era delicado tratar da teoria da ci ncia hist rica naquele momento. Ele sabia tamb m estar entrando em um campo no qual o debate de opini es est em pleno desenvolvimento 4 e no qual o objeto em disputa em quest o era a pr pria natureza do conhecimento hist rico. Era um ato perigoso sem d vida. Entretanto em sua opini o era ainda mais perigoso se omitir: cada passo perigoso e duplamente perigoso se n o se escolhe rapidamente que parte estar .5 Dessa forma a aula inaugural de Huizinga apresentada em 5 de novembro de 1905 comportava uma dupla tarefa: primeiro a de escolher de que parte estar no tocante aos debates sobre a teoria da ci ncia hist rica em pleno desenvolvimento e segundo a de apresentar as id ias que o orientariam em seus estudos hist ricos. O t tulo dado a esse discurso inaugural O Elemento est tico das representa es hist ricas j apontava para qual era o posicionamento de Huizinga em rela o a esses debates te ricos: diferentemente das correntes predominantes da historiografia europ ia sobretudo alem do final da segunda metade do s culo XIX Huizinga acreditava que o ato de compreens o hist rica comportava caracter sticas distintivas que o aproximavam mais da Arte do que da Ci ncia. Tal assertiva o colocava no centro de uma longa querela sobre o estatuto cient fico da hist ria que remontava a pol mica em torno do historiador alem o Karl Lamp
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